Rio -  Entidades, órgãos de Direitos Humanos e especialistas no assunto reagiram com indignação à decisão das autoridades de dar tratamento de choque aos usuários de crack no Rio, conforme O DIA publicou nesta terça-feira.

Através do programa ‘Crack, É Possível Vencer’, do Ministério da Justiça, já foram entregues à Secretaria de Segurança Pública 250 armas de choque elétrico, além de 750 sprays de pimenta, que serão usadas nas abordagens aos viciados da droga.

Marcelo Rocha, presidente da Associação dos Dependentes Químicos em Recuperação, classificou a ideia como "iniciativa covarde". “Incompetentes e covardes querem ‘limpar’ a cidade às vésperas de grandes eventos”, desabafou.
Foto: André Luiz Mello / Agência O Dia
Com o mau tempo, viciados improvisaram barracas e usaram guarda-chuvas, ontem, perto do Parque União | Foto: André Luiz Mello / Agência O Dia
A Frente Estadual de Drogas e Direitos Humanos adiantou que vai entrar com várias ações judiciais contra a medida. “Fica evidente que o interesse maior é exterminar essa população”, justificou Beatriz Adura, líder do movimento.

Para o especialista em sociologia urbana da Uerj Dário Sousa, o tratamento que será dado é inconstitucional. “Qualquer arma só pode ser usada proporcionalmente à agressão sofrida. Será como usar um fuzil contra um batedor de carteira”, comparou.

“Por que não usam esse dinheiro (da compra das armas, orçada em R$ 240 milhões) para montar clínicas de ruas, de famílias, consultórios móveis, e criar mais leitos?”, questionou a psiquiatra Maria Thereza Aquino.

"Brasil precisa ter foco no crack"

A preocupação é com a possibilidade de morte de viciados pelos choques (de 5 mil volts). Estudos mostram que usuários de crack e cocaína adquirem danos cardiovasculares e têm 24 vezes mais chances de ter enfarte em relação à população em geral.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que “o Brasil precisa de uma política com foco no crack, que racionalize atividades policiais”. Em nota, a Secretaria Nacional de Segurança Pública informou que a orientação é ter ‘todo cuidado com os usuários’.

Colaborou Flávio Araújo